| 16/02/2006 - Pronunciamento na inauguração da ponte José Venâncio Cunha |
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João Paulo Cunha: homenagem a um trabalhador como a maioria do povo de Osasco
“Boa noite, a todos e a todas. É um prazer participar de mais essa inauguração da administração do companheiro Emidio. E assim quero iniciar saudando o prefeito Emidio, que tem feito neste ano o que muitos não fizeram em muitos outros anos, mostrando que Osasco está efetivamente há um ano em mãos corretas, em mãos sérias, em mãos trabalhadoras. Junto com Emidio saudar sua esposa Márcia, primeira-dama, saldar os vereadores presentes, companheiro José Barbosa, que tem dignificado muito a Câmara dos Vereadores de Osasco, vereador Marcos Martins que é vice-presidente, vereador Aluisio Pinheiro que é líder do prefeito, vereador nosso amigo Toniolo, vereador Nelsinho, vereador Rubinho, a vereadora Sonia Rainha, vereador Oswaldo Virgínio e na pessoa dele saldar todos os vereadores de Osasco, e agradecer Barbosa, na sua pessoa, a agilidade que a Câmara teve para votar o projeto que o prefeito Emidio enviou para a denominação desta ponte com o nome de José Venâncio da Cunha. É preciso pensar o que significa dar denominação de uma praça, de uma rua, de uma avenida. A história do Brasil se consolida também a partir desses nomes. A elite brasileira, os ricos e os poderosos desse país sempre utilizaram esta forma de política para perenizar os seus. Exatamente por isso que num processo recente de ditadura que nós sofremos e conseqüentemente à ditadura nós tivemos Praça 31 de Março, Av. Garrastazu Médici, Av. Costa e Silva e assim sucessivamente. É importante que os trabalhadores entendam que ao dar denominação de uma praça ou de uma rua, para um evento, (...) evento que os trabalhadores consideram como seus, os trabalhadores também fazem história. De uns anos para cá, nós temos visto Parque Chico Mendes, que expressa a perenização de um homem que lutou pela natureza, pela ecologia, reconhecido pelo mundo todo e pouco reconhecido pelo nosso país, aliás, muito mais reconhecido depois de sua morte, assim como outras personalidades da nossa história. Juscelino Kubitschek só está sendo reconhecido agora, depois de mais de 30 anos de sua morte. Getúlio Vargas, que precisou dar um tiro no peito para entrar pra história, porque a elite brasileira, os ricos do nosso país diziam na época de Getúlio que ele vivia no Palácio do Catete, no RJ, no meio da lama, da corrupção, que o seu partido patrocinava a maior corrupção da história. A elite brasileira fez isso com Getúlio, que tinha construído a Petrobrás, que tinha instituindo o salário mínimo e fizeram assim também com Juscelino e agora tentam fazer assim no nosso país recente. Por isso é bom que as pessoas abram bem os olhos e vejam se tem correspondência na sua vida diária com aquilo que eles estão falando. Veja se o salário mínimo é ou não muito melhor do que há quatro anos. Veja se o preço do arroz, do óleo, do cimento, não é muito melhor do que 4 anos atrás. A gente precisa reparar bem no que está acontecendo no Brasil, a revolução que nós estamos fazendo e a birra, o ódio da elite, quando a gente começa a colocar o Brasil em outro caminho. A denominação dessa ponte com o nome do meu pai me orgulha muito. Me orgulha porque eu nunca pedi. Eu fui vereador 6 anos, fui deputado estadual 4 anos, sou deputado federal agora completando 12 anos, nunca pedi, porque eu sempre guardei a boa memória do meu pai, os bons exemplos do meu pai, no meu coração e na minha vida prática. Eu sempre guardei aquilo que meu pai falava e tentei passar para meus amigos, meus companheiros e para as pessoas que me acompanham. Achava que talvez não precisasse dar essa denominação, mas quando o Emidio me falou eu fiquei muito contente, muito satisfeito e achei que valeria à pena a gente poder denominar aqui uma pessoa simples como a maioria do povo de Osasco, uma pessoa trabalhadora como a maioria do povo de Osasco, que trabalhou quase 25 anos na CIMAF e na Braseixos, que andou nessa cidade e viu a cidade crescer, que criou os seus filhos aqui em Osasco, que comprou a sua casa própria no Jd. das Flores, onde minha mãe mora até hoje, e onde eu morei até 1991, quando casei e comprei a minha casa na Vila São José, onde moro até hoje. Dar a denominação para uma pessoa assim valeria para qualquer trabalhador de Osasco, mas sendo meu pai me emociona muito mais. E como a vida também é feita de muitas circunstâncias e coincidências, eu agora na padaria da Matriz comer um lance antes de vir para cá e encontrei o vereador Mario Luiz Guide. Meu pai morreu no dia 30 de junho de 1992, um depois da festa de São Pedro. No dia 29, eu era candidato a prefeito e o Mario vice-prefeito. Nós fomos numa quermesse, na Vila Prado, junto com o companheiro João Góes. Naquela quermesse houve um tiroteio e o Mario Luiz tomou um tiro e foi para o hospital. Ato contínuo espalhou na cidade em vários lugares que eu tinha tomado o tiro. Muitas pessoas ligaram para minha casa, meu pai ficou muito abalado, eu considero que esta foi uma das razões de ele ter tido um enfarto, tinha somente 62 anos, mas hoje encontrando o Mario, eu não lembrava, mas ele recordou que no dia 29, antes de irmos para a rua Prado, passamos na minha casa para tomar um café, como faço sempre na casa da minha mãe, e ele disse: vocês não devem ir lá, não vão, não vão nessa quermesse, pois vocês já fizeram muita coisa hoje, não precisa ir lá. Na verdade, eu não o escutei e fui, e acabou acontecendo isso e depois disso o meu pai acabou falecendo no dia 30, não escutando meu pai e ele acabou falecendo. De qualquer forma foi um recado para que eu não seguisse aquele caminho. Eu espero que com as bênçãos dele, ao lado do nosso pai maior que é Deus, ele possa lá de cima orientar e continuar orientando a gente para seguir o caminho que é certo, que é correto, e esse caminho é o caminho da gente andar na avenida, na rua, do lado dos trabalhadores e do povo. Dessa forma, eu queria Emidio, de coração, agradecer a lembrança de dar denominação à essa ponte com o nome do meu pai e poderia ser qualquer rua, qualquer viela, qualquer praça da cidade. Você pode ter certeza que assim como meu pai viu você anos e anos na Braseixos para trabalhar, me viu anos e anos, na Braseixos para trabalhar, ele está lá de cima torcendo para que o seu governo dê certo, para que nosso governo de Brasília dê certo e para que o povo brasileiro, em particular, os trabalhadores e o povo mais pobre consigam fazer uma vida melhor, que esta lembrança seja uma lembrança ao povo de Osasco. Muito obrigado.
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Ação Parlamentar 





